segunda-feira, 30 de março de 2009

"Sou um depressivo, entristecido, angustiado."

Recentemente, um amigo muito querido me mandou um mail com as seguintes palavras:
"(...)estamos vivendo dilemas muito semelhantes. Uma profissão que desgasta até o talo, que nos despersonaliza, mas que nos traz o conforto e também para os nossos. Também estou tomando citalopran e rivotril como tratamento de uma angústia crônica que se abateu em mim. Eu hoje não sou mais aquele cara extrovertido como era em nossa época. Sou um depressivo, entristecido, angustiado. E se parar para analisar isso tudo, não existe um motivo real para isso."

Meu querido amigo e leitores, a angústia vem quando tomamos noção do que realmente somos. Após esta terrível descoberta, vem o desespero, pois assim como nós, existem outros bilhões espalhados pelo planeta. Houve somente uma excessão: Jesus, Deus encarnado homem!

HOMO HOMINI LUPUS EST ( o homem é lobo do homem) é uma setença proferida por Thomas Hobbes(na realidade popularizada por ele). Se é uma sentença, logo estamos condenados a nós mesmo.

Somos como porcos-espinhos tentando se aquecer, em comunidade, no inverno. Já imaginaram como isso é possível?

Mais uma vez repito, não sou MISANTROPO por opção ou modismo, mas porque nossa própria natureza impõe que o sejamos. No meu caso, agravou-se quando graduei-me em teologia e diante do que é Perfeito, Infinitamente Bom, Justo e Agape minha noção de miserabilidade me levou a um poço de tristeza e desilusão.

Deus salvou-me de mim mesmo. A paroxetina, elevou meu nível de serotonina devido ao bloqueio de sua recaptação e o clonazepam, aquietou meu coração por entorpecer meu hipocampo.

"E se parar para analisar isso tudo, não existe um motivo real para isso". Existe sim, meu amigo. A razão disso tudo é a vontade! Observe a dialética terrível dessa "roda da morte":

A vontade leva à ansiedade de satisfazer o desejo. A cada minuto ansiamos e ansiamos, trabalhamos, lutamos para satisfazer única e exclusivamente a nossa vontade. Depois que conseguimos, o que vem após? Outro objetivo,a vontade renasce! Ela ,meu amigo, é uma fenix insaciável...

Não se culpe por você estar vivendo angustiado e entristecido porque teve que assumir responsabilidades cedo. Você amadureceu com isso.

Outras causas teológico-filosoficas sobre infelicidade e afins, postarei em um outro momento. Por hora, fique com o pensamento de que " nada detém a marcha inexorável do tempo." Tudo passa...





domingo, 22 de março de 2009

Parem e escutem. No quarto secreto do seu coração, você e o Pai. Bach ouviu esta voz e musicalizou. É impressionante, é colossal, não há como se emocionar. Tem que ser ouvido, no mínimo, de joelhos.
Todas as vezes que ouço esta divina musica, fico perplexo diante da grandeza Dele-

"A humildade, como virtude, é essa tristeza verdadeira de sermos apenas nós."
Pequeno Tratado das Grandes Virtudes
De André Comte-Sponville
Ed. Martins Fontes, São Paulo, 1999



video

sábado, 21 de março de 2009

Eis a motocicleta de que vos falei no post anterior:
Motor de dois cilindros em “V” a 72º de 1.125 cm³, DOHC (duplo comando de válvulas no cabeçote), capaz de desenvolver 146 cv de potência máxima a 9.800 rpm, e torque de 11,1 kgm a 8.000 rpm.
Acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2,9 segundos(ufa!) e alcançar uma velocidade máxima de 290 km/h(maravilha...).

Que semana...



Ao fazer a opção pela minha atual profissão,a fiz para deixar amparada minha família e desfrutar de uma aposentadoria não tão humilhante. Mas, devido ao stress físico e mental que a profissão exige, acho que os frutos desta opção serão apenas para a família. Queria apenas uma moto super sport e uma estrada sem curvas, asfalto tipo tapete...

Enquanto isso não vem, o que me sustenta espiritualmente é Deus. Fisicamente: paroxetina 60mg/dia e clonazepam 2mg/dia.

PS: No dia 30/03. quando for pagar meu IR 2009, as doses acima serão cavalares!

domingo, 15 de março de 2009

Da moral humana

"Não há nenhum homem tão bom que, tivesse seus pensamentos submetidos às leis, não merecesse ser enforcado dez vezes em sua vida"

Michel Eyquem de Montaigne

Desilusão

" É um fenômeno exclusivamente humano, desilusão, ato de desiludir-se, desenganar-se, o que pressupõe que nos enganamos sobre algo ou alguém, que em um momento qualquer, acreditamos. Por mais doloroso que possa ser vivenciar a desilusão, o processo anterior de nos iludirmos é parte da construção de nossa capacidade de suportar perdas, e de criar mecanismos que nos sustentem para enfrentá-la. Precocemente, “iludimos” os bebês com o bico, a mamadeira, para que, quando a mãe não possa mais amamentá-lo, ele tolere a perda do seio, da sua presença e de seu olhar constante. Mais tarde, acrescentamos ao berço, bichinhos de pelúcia, travesseirinhos com o cheiro materno, proporcionando a ilusória presença materna. Muitas crianças, carregam estes objetos simbólicos que lhes dão segurança e proteção, de certa forma mágicos. Este , por toda a infância, adolescência e, alguns os guardam até a vida adulta.
São chamados objetos transicionais, que incluem parte de nossa fantasia vinculada a realidade, ou seja, nos dão um caminho sólido para que possamos suportar a realidade da perda de nossos objetos mais amados. É um processo de matriz, para enfrentarmos todas as demais ilusões e desilusões que a vida nos reserva no desafio do crescimento e desenvolvimento humano.
Quando adultos e nos apaixonamos por alguém, um manancial de ilusões, esperanças e expectativas toma conta de nossa vida. Tantas vezes, se desiludidos, nos sentimos como bebês a procura do ursinho que vai nos consolar, acolher nossas lágrimas, acalmar nossa magoada e sufocada respiração. Se temos uma base forte, sobreviveremos. A confiança básica se manterá sólida, nos dará forças e coragem para buscar novas ilusões, fantasias, cada vez mais viáveis e realizáveis. É a aprendizagem pela dor vivenciada, a desilusão experimentada, sofrida mas que nos fortalece".
Fátima Pilla Muller 17/07/2005


É o destino trágico de todo ser humano. Nascemos com o desespero de sermos o que somos, fadados a sofrer porque simplesmente queremos (ato da vontade),muito bem vivos e explicados por Schopenhauer e Kierkegaard.
Misantropia é a condição de todo homem que se ve diante de outro igual, é uma imposição da natureza.